sexta-feira, 3 de abril de 2009

Da depressão

Dias maus. Toda a gente os tem. O meu problema é ultimamente ter demasiados. Esforçar-me e não ficar satisfeita comigo, comer e nunca me passar a fome, fazer um monte de coisas boas e chegar ao fim do dia assim. Vazia.
Deve ser a isto que chamam depressão.
Sempre que me senti deprimida achei que tinha um motivo ou, pelo menos, sabia identificar um. Mas agora é diferente, passam-me quinhentas coisas pela cabeça, mas não consigo apontar o dedo. Talvez me falte um pedaço da vida que seja fantástico para me escudar do resto. Talvez...
Olho à volta e só vejo coisas más, só vejo o que não tenho. O corpo queixa-se, cansado, nauseado, desequilibrado. Se fosse hipocondríaca podia fazer uma história na minha cabeça juntando tudo do que o corpo se queixa ao longo do dia e ir ao médico. Talvez um placebo qualquer me fizesse efeito e me tirasse de onde estou.
Deprimida. Pela primeira vez em muito tempo sinto-me algo "tuga" quando páro para desejar que me saia o euromilhões e a vida mude. Porque é que de repente não sou capaz de agarrar as rédeas e só consigo deixar-me ficar à espera que algo de bom aconteça?
Pior. Sei que a única coisa que vai acontecer é que o tempo, invencível, vai continuar a correr e roubar-me pedaços da vida enquanto fico presa no meu canto, onde não consigo fazer o meu ninho, mas do qual também não sou capaz de sair.

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